30 de junho de 2011

"...pedir, mesmo em vão, porque pedir não só é bom, mas às vezes é o que se pode fazer quando tudo vai mal."

O sabor de uma realização

E é assim, fase de mudanças é sempre assim, aprendemos a nos conhecer sempre um pouco mais, saber nossos limites, o limite do nosso amor, do amor próprio. Eu ainda tenho esperanças de sempre recomeçar, e como diz Frejat "... e quando estiver bem cansado, ainda exista amor pra recomeçar...", e de recomeçar, não sozinha, mas acompanhada, e muito bem acompanhada."


(- Em O sabor de uma realização)

Em exaustão

Tudo o que eu tenho agora são nossas lembranças, adoro ficar aqui em frente ao computador olhando todas as nossas fotos, nossas conversas. Toda vez que eu pego o celular me seguro ao máximo pra não ligar pra você, disco o send e desisto antes que dê o primeiro toque. Abro a caixa de entrada das mensagem e está ali, estampado seu nome seguidas vezes, minha vontade é responder todas como se eu não tivesse respondido nenhuma, mas a única coisa que eu faço é ler todas novamente e lembrar exatamente de cada dia, de cada conversa, de cada briga.
Essa é mais uma das coisas que me consome e eu acabo caindo em contradição quando digo que consegui praticar a arte do desapego. Não consegui, assumo, não consegui, mas pode ter certeza, da minha boca não sai mais nenhuma palavra de saudade pra você, confesso, cansei.
É bom sentirmos saudades de um amor que acabou. É bom sabermos que o que vivemos ao lado de outrem foi tão importante e intenso que nos faz lembrar a cada vão momento, e nos menos oportunos, o quão felizes nos fizeram. Mas além disso tudo, é bom sentir saudades de tudo que ainda viveremos ao lado de outros amores, e que esses irão nos fazer mais felizes ainda, mesmo sendo difícil de acreditar nisso.

28 de junho de 2011

— quando olho pra você, eu me vejo nos seus olhos.

— e indo dormir agora eu penso: eu não sei realmente se existe alguém no mundo que esteja pensando em mim, mais eu costumo pensar muito em um certo alguém.
(Frases de Douglas Lenon)

Do tempo da vergonha - pertencente a obra “Doidas e Santas”

"...mas voltando ao que nos trouxe aqui: vergonha é o que você deveria sentir quando faz algo errado. É o que deveria sentir quando se desresponsabiliza pelo que está desmoronando à sua volta. Vergonha é quando você se habilita para uma tarefa importante e descobre que não tem competência para executá-la. Vergonha é o que se sente quando interferimos na vida dos outros de forma desastrosa. Vergonha é o que deveria nos impedir de praticar atos aparentemente inocentes, como chegar atrasado ao teatro quando a peça já começou, e nos impedir de coisas bastante mais sérias, como roubar."
"Tudo é lindo quando se tem alguém pra dividir algo. maldita carência, se não fosse ela eu não escreveria pode apostar. no final do dia a gente só quer ser de alguém como nunca foi a vida inteira de si próprio. hoje em dia eu só vivo pra fechar os olhos, respirar a vida pra não morrer de carência. eu só queria alguém que me protegesse da vida, porque eu vivo apanhando dela, eu vivo me escondendo justamente pra que ela não me ache, e me esfregue na cara o quanto eu me atraso, do quanto eu sou nada sem ela, do quanto você foi embora e levou de mim algo que eu nunca pensei que ia sentir falta."
"Eu não gosto mais dele. mas aí, eu faço questão de pensar nele e falar dele todos os dias. só pra não perder o costume. só pra ter em quem pensar. depois te tantos anos fazendo isso, é quase rotina. e eu odeio sair da rotina."

27 de junho de 2011

"Eu tenho medo de acreditar em você, de te desejar tanto tanto e acabar descobrindo que eu ainda tenho um coração e que ele ainda pode amar muito alguém. não, eu digo a mim mesma, eu não vou me apaixonar e nem desejar saber tudo ao seu respeito, querer conhecer sua mãe e ser apresentada aos seus amigos. você não sabe, mas quando eu chego em casa eu repasso cada palavra que você disse, cada gesto que você fez, cada beijo seu e me pergunto se vale mesmo a pena. você é gentil, simpático e diz todas as coisas que deveria, pena que você não sabe que esse é seu maior problema."

21 de junho de 2011

Apenas soul.

Não imponho a minha pessoa a ninguém. Não imploro afeto. Não sou indiscreta nas minhas relações. Tenho poucos amigos, porque acho mais inteligente ser seletivo a respeito daqueles que você escolhe para contar os seus segredos. Então, se sou chata, não incomodo ninguém que não queira ser incomodado. Chateio só aqueles que não me acham uma chata, por isso me querem ao seu lado. Acho sim, que, às vezes, dou trabalho. Mas é como ter um Rolls Royce: se você não quiser ter que pagar o preço da manutenção, mude para um Passat.

Para falar de nós, amor

— hoje tem churrasco na casa do Rafa, vamo?
— churrasco na casa do Rafa de novo?
— já percebeu que tudo é motivo pra briga? nada nunca tá bom. às vezes parece que o homem da sua vida de três anos atrás virou o caminhoneiro que vem te ver uma vez a cada dois meses.
— o caminhoneiro consegue ser mais original, talvez ele saiba o que fazer. você tem noção de qual dia é hoje?
— dia 8 de maio não é?
— você é sempre sínico assim mesmo, ou tá querendo me irritar?
— o que eu fiz de errado agora meu deus?
— três anos atrás naquela praça, era mais ou menos seis horas da tarde, e um cara não muito interessante, sentou do meu lado, e perguntou o que eu achava do amor, na hora eu fiquei sem reação, nunca havia visto alguém se aproximar assim de outro alguém, eu disse: amor? não sei te responder agora, assim na lata. e aquele cara nunca mais me perguntou sobre o amor outra vez.
— tá insinuando que eu esqueci do nosso aniversário de namoro?
— não, longe de mim.
— então o que quer que eu faça?
— quero que seja aquele mesmo homem, aquele o qual eu me apaixonei. é tão difícil assim ser ele, eu quero me apaixonar por você de novo, cadê nossa essência? nossa estrela no céu, uma que eu chamei de minha, e outra que você chamou de tua, então demos o nome da constelação de amor. eu não sei mais quem é você, talvez você tenha sido isso o tempo todo, e quis me impressionar naquela praça, naquele primeiro mês.
— o amor é um nós que esqueceu de estar aqui agora. sei que estive ausente, mas não somos os mesmos à muito tempo. mas eu te amo. eu também não sei mais quem eu sou, mas eu posso afirmar com toda a certeza do mundo que é você quem eu quero. desculpa se um churrasco no Rafa não é suficiente, na verdade eu achei que depois do primeiro ano de namoro a gente nem contasse mais os dias. pensei que começasse outro significado depois.
— nós temos tudo o que precisamos, o amor maior é o que a gente inventa depois de um ano de pura paixão. sabe o que eu amo de verdade, quando você fecha os olhos e conta uma piada ruim no domingo a noite. e me faz pensar se existe alguém mais feliz no mundo nesse momento, porque se você calcular o meu riso bobo com a sua piada ruim, nós viramos o casal mais fascinante de todos os tempos.
— eu achava que você odiava minhas piadas.
— eu odiei quando você parou de contá-las.
— o que você acha do amor?
— eu passei muito tempo achando o amor entende? eu pensei muito na sua pergunta durante todo esse tempo. eu não acho mais o amor desde aquele dia na praça. a pergunta que você deveria me fazer é se o amor me achou. e nem precisa perguntar, porque ele me achou, ele simplesmente me pegou no colo e me trouxe pra casa.
— passamos muito tempo achando coisas do amor, e pouco tempo fazendo ele. esquece esse churras na casa do Rafa. e vem fazer amor com o teu homem, aquele que te amou desde o primeiro dia, desde a primeira palavra que você me disse.
— amor?
acenando com a cabeça que sim, ia dizendo de mansinho:
amor tranquilo, com sabor de fruta mordida.

Não me mostre o tempo

Eu não tenho como pagar o que me cobra, não possuo estrutura sequer para te indicar onde encontrar a solução.

E não são meus problemas morais que te afastaram de mim, foi o tempo. Acho que ele determinou o fim.

Eu não encontro mais formas de te levar comigo, não posso te jogar em um pedaço de madeira com rodas e simplesmente te empurrar.

Eu já não encontro forças, acho que perdi isso na sétima ou oitava briga quando cantei todas músicas tristes, fumei três maços seguidos desejando estourar pelo menos um pulmão.

Sinto que já não sei distinguir meu amor do seu ódio, preciso que me avise quando devo partir.

Corte e Costura do Coração

No teto você dança uma canção distraída, adormece pelas quatro pontas do quarto, faz das cortinas edredom.

Tenho medo de entrar na sua casa, ficar tonta, não saber acompanhar seus passos, girar de cima até o chão.

Te procuro então por aqui em tantos textos, rabisco diariamente umas quatrocentos imagens nossas através de palavras.

Ainda me esforço para emendar o cansado órgão com versos pesados e retalhos do que restou da sua quase despedida.